Esclerose múltipla: sintomas e tipos

A esclerose múltipla não tem cura, mas com diagnóstico precoce e tratamento adequado é possível evitar sua progressão

25/08/2020 09:23 | Última Atualização: 25/08/2020 12:23
Pin It

Vamos começar pelo que não é: a esclerose múltipla não é uma doença mental, não é considerada fatal, não é contagiosa, nem é uma disfunção da idade. Ainda há muito desconhecimento e preconceito sobre ela. Por isso, reunimos algumas informações básicas, importantes para lidar com o diagnóstico.

Esta doença neurológica atinge geralmente pessoas jovens em média entre 20 e 40 anos de idade, sendo aproximadamente duas vezes mais comum em mulheres. A estimativa da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) é que cerca de 35 mil pessoas no Brasil convivam com a doença. Aqui, vamos ver:

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica que compromete a função do sistema nervoso, levando a episódios mais ou menos frequentes (surtos) de dificuldade de visão, redução de funções motoras, fadiga desproporcional, entre outras.

 

Ocorre quando o próprio sistema imunológico (aquele que deveria nos defender de agentes externos como vírus e bactérias) ataca uma parte dos neurônios chamada bainha de mielina.


A bainha da mielina é uma capa que envolve o axônio (a cauda do neurônio), responsável por conduzir os impulsos elétricos do sistema nervoso central para o corpo e vice-versa


Quando o sistema imune ataca, ocorre a desmielinização, ou seja, a degradação da mielina, o que compromete as funções coordenadas pelo cérebro. Assim começam os chamados surtos, que são as manifestações sintomáticas da doença.

 

Sintomas

A duração do surto varia de dias a semanas, dependendo do paciente e podendo apresentar mais de um sintoma.

Os mais comuns são alterações na visão, na sensibilidade do corpo (formigamento ou falta de sensibilidade), no equilíbrio, no controle de esfíncteres e na força muscular dos membros com consequente redução na mobilidade ou locomoção.

Principais sinais da esclerose múltipla

  • Fadiga: fraqueza ou cansaço
  • Sensitivas: parestesias (dormências ou formigamentos); nevralgia do trigêmeo (dor ou queimação na face)
  • Visuais: neurite óptica (visão borrada, mancha escura no centro da visão de um olho – escotoma – embaçamento ou perda visual), diplopia (visão dupla)
  • Motoras: perda da força muscular, dificuldade para andar, espasmos e rigidez muscular (espasticidade)
  • Ataxia: falta de coordenação dos movimentos ou para andar, tonturas e desequilíbrios
  • Esfincterianas: dificuldade de controle da bexiga (retenção ou perda de urina) ou intestino
  • Cognitivas: problemas de memória, de atenção, do processamento de informações (lentificação)
  • Mentais: alterações de humor, depressão e ansiedade

 

Formas de esclerose múltipla

A doença se manifesta em três formas principais.

Remitente-recorrente (EMRR): caracterizada pela ocorrência dos surtos em média uma vez por ano. Geralmente ocorre nos primeiros anos da doença com recuperação completa e sem sequelas. Corresponde a 85% dos casos de esclerose múltipla.

Secundária progressiva (EMSP): metade dos EMRR evolui para esta forma. Nessa etapa, pacientes não se recuperam mais plenamente dos surtos e acumulam sequelas, que podem ser perda visual definitiva ou maior dificuldade para andar.

Primária progressiva (EMPP): quando ocorre gradativa piora surtos.

 

É possível prevenir a esclerose múltipla?

As causas da esclerose múltipla combinam predisposição genética (cerca de 100 genes relacionados à doença já foram mapeados) e fatores ambientais, que funcionam como um “gatilho” da doença, especialmente na adolescência. São eles:

  • Infecções pelo vírus Epstein-Barr (herpes)
  • Insuficiência do hormônio vitamina D
  • Obesidade
  • Tabagismo

Acredita-se que, sem tabagismo, mantendo níveis ótimos de vitamina D e prevenindo a obesidade, seria possível evitar até 60% dos casos.

Como doença crônica, não existe cura definitiva para a esclerose múltipla. Porém, com diagnóstico e tratamento precoce da doença, é possível evitar sua progressão. Exercícios físicos leves, fisioterapia e alimentação balanceada também ajudam a manter ossos e músculos fortes e melhorar o humor. Converse sempre com o médico neurologista para avaliar cada caso.

 

Esclerose múltipla e COVID-19

 

A Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF) esclarece que ainda não há estudos conclusivos sobre como a COVID-19 afeta pessoas com esclerose múltipla. Porém, recomenda-se manter os cuidados de higienização das mãos e evitar aglomerações. Muitos tratamentos para esclerose múltipla funcionam suprimindo ou modificando o sistema imunológico. A Federação também recomenda a continuidade do tratamento, conforme orientações do médico neurologista responsável, sobre os riscos de eventual alteração caso haja infecção pelo novo coronavírus.


www.unimed.coop.br

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Fonte: Portal Esclerose Múltipla, ABEM, EM e COVID, Academia Brasileira de Neurologia, Hospital Albert Einstein

 

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil

Pin It